sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009

neura

é um local estranho. sombrio e conflituoso. quando lá chego tenho muita dificuldade em de lá sair. quanto mais o penso e repenso mais me afundo e, mesmo ajudada por horas de sofá, bolachas e chocolate em quantidades abissais, é difícil fazer despegar de mim esta pele tão desconfortável que me pesa.
sei que não sou a única a padecer do mal. mas há quem disfarce melhor, há quem assuma o seu mau feitio de forma desarmante, e há quem simplesmente pareça estar sempre de bem com a vida.
eu ainda ando à procura da receita para lidar com este lado negro...

quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009

um mimo

chegado directamente de 1989.

http://dmpa.podomatic.com/entry/2009-12-06T11_59_57-08_00

quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

hoje: silêncio, que se vai cantar o


segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

dezembro é um mês que se devora a si próprio

tantas efemérides deixam-nos pouco tempo para pensar. ou para viver. ou mesmo para trabalhar. embarcamos de início nas costumeiras decorações de natal e sempre, invariavelmente, com a sensação de um forte atraso na corrida às compras. seguimos com dois feriados, paralelamente dispostos nas primeiras duas semanas do mês, que, entre pontes e fins-de-semana mais ou menos prolongados nos dão a sensação de que o mês está aqui para que com ele façamos somente o que ele quer: pensamentos mais ou menos fúteis, familiares, generosos, consumistas, ociosos e gastronómicos. no meu caso há ainda que acrescentar ao Natal, feriados e fim d'ano, o aniversário estrategicamente colocado um semana antes da consoada e geralmente coincidente com inícios de férias, fins de qualquer coisa e muitas outras comemorações afins...
uff!! este mês não existe, nem nos deixa existir, abafados que estamos a preparar tantos momentos de festa, alegria, diversão e comunhão; entre viagens, telefonemas aos parentes e presentes, muitos presentes, papel de embrulho, laços, etiquetas, pinheiros, pinhões, passas, champagne, rabanadas, velas e bolo de aniversário...

quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

intensidade, turbilhão, muita confusão...

não sei já dizer como tudo isto começou. foi talvez em mais uma leitura num blog - que agora leio mais na internet do que nos livros, e as coisas fantásticas que se encontram - acerca da intensidade, da vontade de se fazer parte de histórias que fazem sentido a cada momento presente, e não se desenrolam apenas na expectativa de um futuro, esse sim, promissor. tinha a ver com intensidade, isso sim. mas já não sei precisar se isto começou aí ou há meses atrás, quando me disseram que eu gostava tanto de espectáculos (e de filmes, e de música, e de poesia) porque neles procurava o exacerbar das emoções, o exagero, a intensidade (uma vez mais) dos e nos sentimentos. então, encontrei eu ontem este texto e voltei a deparar-me com esta minha vontade, diga-se, revolucionária. utópica, talvez.

decidi ver um filme que há tanto, tanto, demasiado tempo queria ver: hable con ella. é lindíssimo, perfeito em tudo: a música, o argumento, a pina bausch, a beleza, a tristeza, tudo...e eu desde o início com o coração apertadinho, a desatar-se no fim.

encontrei. fora do tempo, no momento mais errado de sempre mas encontrei. afinal tem apenas a ver com intensidade. in-ten-si-da-de e im-pa-ci-ên-ci-a. afinal é normal querer viver depressa. afinal outros há que também o desejam - ou pelo menos o desejaram há um ano atrás, há uns meses atrás, num qualquer momento da vida que pode ainda voltar-. possível solução: descubro uma banda sonora que me abafe o cérebro e desato a escrever sem me ouvir. preciso de tirar o pensamento daquele local, tirar daí o sentido, os sentidos... surge então a necessidade da variedade das tarefas e é por isso que tenho ido nadar. se me entrego a mim própria, perco-me. o que fazer com isto? imensa energia, não está certo. afinidades, não pode ser.

domingo, 29 de Novembro de 2009

à queima-roupa

o acordar nunca foi pacífico. pensar muito, já desperta, no conforto do lugar seguro, com pouca vontade de arriscar a viagem pelo dia que aí vem.
há alturas em que penso em trabalho, em todas as tarefas que tenho de fazer nesse dia, distingo as que gosto das que não gosto, penso em soluções. quando estou mais cansada o primeiro pensamento que me ocorre é saber quando vou poder dormir de novo. mas ultimamente não tenho andado cansada. as horinhas certas são passadas a descansar, dada a vontade de fazer o dia acabar mais cedo e o frio, o frio que já rodeia a casa.
então o 1º pensamento é outro. é recorrente. é permanente e apesar de o enxotar por não fazer sentido, também me rio com ele. sorrio, até. deliro, fantasio, imagino e chego ao seguinte:

seja como for, dê lá por onde der, viver com o pé no travão deixou de fazer sentido. a ser que seja autêntico e completamente a full. estou a atirar-me de cabeça em direcção ao abismo mas a gozar o risco. e sou obrigada a abandonar o meu reduto de controlo e planeamento e racionalização e isso faz-me sentir livre. ou melhor, libertada.
queria conhecer alguém que me pusesse completamente em causa. que me levasse a mandar às urtigas todas as minhas tão presumivelmente certas convicções, já tão supostamente enraizadas neste jovem espírito. os clichés, venham eles também e em quantidade exorbitante, se faz favor! sobressaltos, surpresas, dúvidas, decisões...sim! sim! sim! neste meu sonho eu dizia que sim a tudo e nem parecia eu...

música para dançar comigo

disparatadamente. a abanar os ombros, a sacudir o cabelo e a fazer boquinhas.
em casa. descalça aos saltos em busca da libertação.
dancing to myself...

quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

felicidade

eu sei que este blog se está a tornar uma seca. tenho perfeita noção do pálido tom acinzentado em que isto se vai tornando. vira o disco e toca o mesmo; ora é a solidão, ora a saudade de outros tempos assim como a nostalgia de felicidades que virão.
pois perdoem que, de momento, não tenho força para mais.
não é nada apelativo este meu estar, mas dizem as vozes da sabedoria que melhores tempos virão e a mim resta-me esperar.
onde está? onde está? anda meio mundo à procura dela e outro meio já encontrou e já perdeu.
para cada lado que me vire é a mesma coisa: a chuva lá fora, cá dentro a exaustão de um estado que há muito não muda. ela (pre)viu a vida dela de outro modo, tem amor incondicional para dar e alguém para receber mas falta-lhe, falta-lhe...novidade, excitação, entusiasmo, diferença. e a possibilidade de concretizar tantos planos, pois são tantos os planos que assolam sempre quem pouca tolerância ao tempo tem. a ela parece que a crueldade lhe saltou de repente para a flor da pele: "dos teus problemas já sei, agora os meus"...sim, eu sei que a vida é difícil e que "é dura para quem é mole". mas será que tem de ser sempre assim em todo o lado? tu tens aquilo que eu quero e não estás satisfeito, eu tenho a liberdade que tu recordas e não estou feliz.
a minha mãe perguntava-me insistentemente quando era pequena se eu era feliz e aquilo custava-me...parece que se nos perguntarem deixamos de o ser...ou então é o peso que a idade vai trazendo, e a exigência...felizes são os momentos, é um saldo entre acontecimentos negativos e positivos e não um modo de estar permanente, não é? vêem? eu sei tudo...só falta aceitar. e acreditar.
no fundo são anseios tão simples, tão comuns e tão secretos que é quase obsceno expô-los aqui. mas é a verdade, a verdade deste momento invernoso e difícil.
esta não é a minha história. e quando for, vou reconhecê-la?
uma vez, numa aula de dramaturgia, analisávamos com reputada encenadora um clássico - Hedda Gabler de Ibsen - e tentávamos encontrar as motivações, as correntes subterrâneas que faziam agir a personagem principal. o que é que ela quer? aqui nesta frase e da vida em geral? super-objectivo, penso que lhe chamávamos assim... "Ser feliz", respondi eu. Ingénua, ingénua, infantil, simplória! "Claro que sim - respondeu a professora - mas isso quem é que não quer, menina?"

ultimamente consigo

ouvir, em repetição contínua, vezes e vezes sem conta, sem fim, até à exaustão, a mesma música.
obsessivamente. intensamente. em cada cd escolho apenas uma faixa e faço os caminhos casa-trabalho-casa acompanhada por aquele só som. chega ao fim e carrego no botão de volta atrás, recomeça por favor que eu gosto tanto de te ouvir. e não quero ouvir mais nada.
é hipnótico, embala e faz sonhar. mas ao mesmo tempo também se pode tornar asfixiante.
ultimamamente consigo fazer isto comigo.

terça-feira, 24 de Novembro de 2009

UAU

recebi, na volta do correio, um saquinho com biscoitos que fazem sorrir o coração - receita nova e exclusiva.
Obrigada, amiga!
adoro encontrar surpresas na caixa do correio e os biscoitos, apesar dos dias que aguardaram no posto dos ctt, estão óptimos! :)